Virou tradição: degustação de novas cervejas no fim da noite de Natal. Sendo assim, na noite que celebramos o nascimento de Jesus Cristo, resolvemos abrir a Blue Moon que estava lá, quietinha na geladeira.
Viajar me apavora por mil motivos, desde o planejamento até o voo. O fato curioso é que incluir no roteiro visitas a cervejarias e/ou experimentar novas cervejas ajudou no meu interesse em viajar pelo Brasil e para o exterior. Foi assim que resolvemos viajar neste fim de ano pela Região dos Lagos: conhecendo novas praias e degustando novas cervejas. E, numa dessas degustações, 'esbarramos' com a Birra del Borgo Re Ale.
Seria possível uma cerveja escura ser refrescante, ao ponto de amenizar o calor naqueles dias abafados?
A Tormenta resolveu ousar e criou a Hoppy Night.
No último fim de semana foi realizado o 3º Mondial de La Bière Rio, promovido e organizado pela Fagga | GL events Exhibitions. Ao contrário das primeiras edições, o festival não utilizou as instalações do Terreirão do Samba e decidiu desembarcar em um lugar bem mais amplo: o Pier Mauá, localizado na zona portuária da Cidade Maravilhosa.
Certa vez, comentei com uma amiga sobre o frio na barriga que seria fazer uma pós graduação. Ela me disse, resumidamente, que as aulas seriam puxadas e que os amigos que fizesse seriam pra vida toda.
Engraçado como ela tinha razão: além de perder muitos fios de cabelo e ter noites mal dormidas, essa pós graduação foi gratificante, pois reforcei a amizade com dois brothers que conheci na graduação e tive o prazer de conhecer mais quatro pessoas fantásticas, amigos que jamais esquecerei.
Para aliviar todo o stress das aulas, a cerveja em frente à UERJ era certa. Toda semana, uma resenha diferente e, assim, a amizade era construída.
Foi numa dessas que resolvi comentar com a galera sobre a cerveja que bebíamos: Devassa Bem Loura
Cervejaria Devassa
Quem conhece vira amante! É o tipo de cerveja que te pega pelo colarinho, te seduz pelo aroma e faz você se apaixonar de vez pelo paladar. A cerveja DEVASSA com seu iconoclasta slogan “Um tesão de cerveja”, está na boca do povo literalmente.
Em 2001, dois jovens empresários da noite carioca perceberam que havia uma lacuna a ser preenchida: criar uma cerveja especial com alma brasileira e qualidade europeia.
Foi então que desenvolveram a Devassa, uma cerveja com nome ousado e sabor refinado. Um galpão localizado no bairro do Santo Cristo, no Rio, serviu de cenário para a idéia. Mas nada seria possível sem a criação dos bares que trouxessem as características da cerveja.
O ponto de partida se deu, em 2002, com a primeira loja própria em 2002. A aposta no negócio transformou a cervejaria em um verdadeiro templo de experimentação do produto. Com sucesso retumbante, não demorou muito para nascer uma segunda unidade no início de 2004. No final do mesmo ano,iniciou-se o projeto de franquias que, em 2007, já contava com 11 unidades.
Foi nessa época também que se firmou a parceria entre a Devassa e o Grupo Schincariol - segunda maior cervejaria do Brasil - e o resultado disso foi o aperfeiçoamento dos processos de distribuição e logística, mantendo a qualidade artesanal e a comunicação diferenciada da marca.
A Devassa Bem Loura foi lançada em 2010 e, por incrível que pareça, eu não bebia uma gota de álcool na época. Entretanto, me lembro bem da campanha publicitária do lançamento desta cerva, já que foi durante o carnaval.
No site da Cervejaria Devassa existia uma pessoa atrás de uma fechadura. Para descobrir quem era essa tal pessoa misteriosa, você tinha que twittar com a hashtag #bemmisteriosa. Ou seja, quanto mais twittadas com essa hashtag, mais a pessoa misteriosa se revelava por trás da fechadura. No fim, a pessoa misteriosa era nada mais, nada menos que Paris Hilton. Para quem não se lembra, a modelo ganhou 'destaque' após um antigo namorado divulgar um vídeo em que eles aparecem fazendo sexo em uma festa.
Infelizmente, tal campanha publicitária deixou de ser veiculada, devido às denúncias de 'consumidores', incomodados com o apelo sensual excessivo da propaganda. Esse Brasil 'politicamente correto' é um tédio...
Sobre a cerveja em si, ela tem coloração amarela, translúcida, com espuma de curta formação e curtíssima duração. Aroma muito suave de malte, sem off-flavour. Sabor acompanha aroma, sendo que apresentou um certo dulçor que não soube identificar de tão tênue. Amargor baixíssimo. Carbonatação baixa. Álcool bem leve. Corpo leve.
Conclusão: no lançamento, a Devassa explicou que a cerveja teria "um sabor mais próximo da cerveja que o brasileiro está acostumado a beber". Em outras palavras, a Devassa estava lançando um rótulo para ser uma segunda opção aos consumidores de Brahma/Antártica. Se estiver em conta, vale a pena levar algumas unidades para botecar com os amigos.
INFORMAÇÕES
Devassa Bem Loura
Estilo: Santandard American Lager
Álcool: 4,8%
Cervejaria: Cervejaria Devassa
País: Brasil
Comprada em: Rio 40 Graus
Preço: Uns R$ 8,00
PS: postagem dedicada aos amigos Beatriz Vieira, Denise Castro, Gustavo Luizon, João Henrique, José Eduardo e Luiz Filipe
Amada por uns, odiada por outros. Várias cervejas sofrem desse 'mal'. Uma delas é a Germânia 55, a cerveja de hoje
Cervejaria Germânia
Apesar do nome idêntico, não se deve confundir esta cervejaria com uma que existiu no início do século XX e que, entretanto, desapareceu. A atual Germânia foi fundada em 1991 na cidade de Vinhedo - SP. Após um início difícil, a contratação de um mestre cervejeiro e o investimento no desenvolvimento da fábrica fez com que a empresa se tornasse conhecida, especialmente na venda de chopp.
Hoje, a Germânia responde por 10% do mercado de chopp de São Paulo e prepara-se para obter a mesma performance longe da região Sudeste.
Fato curioso: a Germânia 55 foi a primeira cerveja do Brasil a utilizar latas de 710ml. Sim, o famoso 'latão' não foi invenção da AMBEV.
A apresentação do produto é interessante. Certamente, a Germânia teve um trabalho e tanto para desenvolver essa arte. Ponto positivo. Entretanto, as cores escolhidas ofuscam tanto o nome da cerveja, quanto o desenho no fundo, além da fonte escolhida para os dizeres 'cerveja pilsen'.
Cerveja de coro amarela, translúcida, com espuma de média formação e curta duração. Aroma bem suave, quase nada de malte e alguma coisa que lembra lúpulo. Sabor acompanha o aroma. Carbonatação baixa. Corpo levíssimo. Álcool na medida.
Conclusão: certamente, está abaixo da dupla Brahma/Antartica e das principais marcas populares, mas faz frente às que estão em um segundo escalão. A apresentação do produto pode afastar alguns consumidores, tendo em vista que é um rótulo um pouco 'poluído'. Se achar por um preço razoável, leve uma pra casa pra experimentar.
INFORMAÇÕES
Germânia 55 Pilsen
Estilo: Santandard American Lager
Álcool: 4,5%
Cervejaria: Cervejaria Germânia
País: Brasil
Comprada em: qualquer supermercado mais sofisticado
Hora de botecar pelo Rio de Janeiro e a escolhida foi mais uma cerveja internacional 'popularizada' nas mãos da Heineken: Sagres.
Além da Sagres (portuguesa), a Heineken está vendendo no Brasil garrafas de 600 ml retornáveis da Amstel (holandesa) desde o ano passado. São duas lagers leves, límpidas e refrescantes, com amargor muito baixo e que fazem parte de seu portfólio global. Não oferecem grandes desafios ao paladar e ao olfato, mas são agradáveis, fáceis de beber, e cumprem bem a função de matar a sede.
Sagres
Em 1934, nascia a Sociedade Central de Cervejas (SCC), fruto da associação da Companhia Produtora de Malte e Cerveja Portugália, da Companhia de Cervejas Estrela, da Companhia da Fábrica de Cerveja Jansen e da Companhia de Cervejas de Coimbra. Um ano mais tarde, o património da Fábrica de Cervejas Trindade, incluindo a sua cervejaria, é integrado na SCC. A marca Sagres surgiria em 1940, aproveitando-se então o clima de relativa euforia que se vivia no país devido à realização da Exposição do Mundo Português, que teve como propósito a comemoração da data da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640). Com um destino semelhante às caravelas que saíram do Restelo para conquistar mundos, a cerveja Sagres marca o início da exportação de cerveja, aportando primeiramente Gibraltar, continuando para os Açores e para Territórios Ultramarinos de Angola, Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Timor, Goa, Macau e Moçambique.
Cerveja de cor dourada, translúcida, com espuma de baixa formação e duração. Aroma bem suave de malte, com algo adocicado que não soube identificar. Sabor acompanha o aroma, com a adição de um amargor que acredito ser do lúpulo. Corpo leve. Carbonatação média. Retrogosto um pouco adocicado.
Conclusão: terei que provar novamente, pois essa estava um pouco adocicada. Já li na internet o mesmo relato da Sagres aqui no Brasil, o que chega a ser desanimador. Entretanto, pelo preço que ela está sendo vendida, fica bem claro que a Heineken trouxe para o Brasil a Amstel e a Sagres para competir com as cervejas 'normais'. Isso fica bem claro quando você consulta os sites portugueses
A nova Sagres, “em formato 600 ml retornável” que será distribuída na restauração, foi “adaptada ao perfil e ao gosto do consumidor brasileiro, de forma a satisfazer os paladares daqueles que apreciam bebidas de amargor mais subtil”, acrescenta o comunicado.
“O bem-estar e a tendência à vida equilibrada nunca foram tão importantes e enxergamos isso como uma grande oportunidade para a cerveja. Somente Skol, com sua credencial de inovação e cerveja leve de qualidade, poderia criar um produto como este. Acreditamos que Skol Ultra tem potencial para revolucionar o mercado de cerveja”. - Taciana Ávila, gerente de portfólio da Skol.
Não é de hoje que a Skol causa polêmica com o lançamento de suas cervejas. Como disse na minha análise sobre Skol Beats, a cervejaria é sinônimo de inovação aqui no Brasil.
Sendo assim, tentarei fazer uma postagem totalmente parcial sobre a Skol Ultra.
Skol
Cerveja de propriedade da empresa dinamarquesa Carlsberg, com licença para ser fabricada no Brasil pela AmBev. Seu nome vem do sueco skål, que significa “à vossa saúde/à nossa saúde”; expressão comum que antecede brindes. Atualmente, é a líder absoluta do mercado brasileiro, com aproximadamente 30% de participação. A origem da marca tem início exatamente no dia 25 de agosto de 1964 na Europa, quando quatros importantes cervejarias, Allied Breweries (Reino Unido), Labatt (Canadá), Pripps-bryggerierna (Suécia) e Unibra (Bélgica), em uma tentativa de criarem uma marca global de cerveja, que seria licenciada para ser produzida em vários países, fundaram a SKOL INTERNATIONAL. A cerveja SKOL PILSEN chegou ao Brasil em 1967 pela pequena Cervejaria Rio Claro, fabricante da tradicional Caracu. Anos mais tarde, a Brahma adquiriu a marca para uso exclusivamente no país.
A marca é conhecida nacionalmente pela inovação (primeira lata em alumínio. embalagem long neck com tampa de rosca. lata de 473 ml e lata com boca redonda ou abertura maior) e pelo marketing agressivo, sempre voltado ao público jovem.
Em 2015, pelo terceiro ano consecutivo, a Skol ficou no topo do ranking BrandZ das marcas mais valiosas do Brasil.
Uma das inovações da Skol Ultra está justamente no rótulo. A maioria das cervejarias brasileiras utiliza apenas rótulos magazine (de papel, aplicados com cola) nas garrafas de suas cervejas. Já a Skol Ultra vem com rótulos autoadesivos de BOPP transparente.
Já vi muita gente sofrer para tentar destacar rótulos de cervejas especiais. Alguns conseguem, outros não. Se essa tecnologia pegar...
Outra inovação é o público alvo. Já faz um tempo que a mídia publica que cerveja hidrata tanto quanto água após atividades físicas. Como o povo brasileiro, enfim, se ligou que cuidar da saúde o quanto antes aumenta a expectativa de vida, a Skol decidiu elaborar um produto voltado para este público, que busca o equilíbrio entre uma vida ativa e saudável, sem abrir mão do prazer de beber uma cerveja gelada de vez em quando, tendo em vista que a Skol Ultra possui apenas 88kcal (long neck de 275ml)
A cerveja em si não tem atrativos: amarela, translúcida, espuma de curta formaçaõ e duração. Aroma quase que inexistente, algo que lembra malte. Sabor também é quase que inexistente, com algo que lembra malte e amargor mínimo. Corpo levíssimo. Álcool quase que inexistente. Final com amargor mínimo.
Conclusão: como cerveja, sinceramente, é horrível. Entretanto, como é a primeira Light Lager que bebo, não tenho como afirmar se é uma cerveja inferior às concorrentes.
Com apenas 4,2% de teor alcoólico, quem tem costume de beber após a pelada tradicional entre amigos NUNCA vai trocar Brahma e Antártica (ou qualquer outra) pela Skol Ultra. Quem bebe cerveja artesanal então, só vai provar pra fazer check-in no Untappd.
Agora, pra quem tem uma alimentação totalmente controlada, pode ser uma opção. Nisso temos que aplaudir a Skol, por arriscar e fazer um produto para um nicho de mercado.
INFORMAÇÕES
Skol Ultra
Estilo: American Light Lager
Álcool: 4,2%
Cervejaria: Skol
País: Brasil
Comprada em: qualquer supermercado mais sofisticado
Quando provei a Sebastian Riegeles Weisse, não tinha ideia de que ela estava realicionada no livro "1001 Cervejas Para Beber Antes de Morrer". Entretanto, todo mundo diz que a Riegele produz uma outra cerveja bem melhor: Riegele's Augustus
Brauhaus Sebastian Riegele
Com sede na cidade de Augsburg (Alemanha), suas origens, datam de 1386, quando a cervejaria Zum Goldenen Roß (Ao Cavalo Dourado) se estabeleceu. O negócio foi adquirido por Sebastian Riegele em 1884 e, sub sua supervisão, expandiu-se com rapidez. O filho de Riegele, que também se chamava Sebastian, levou a cervejaria a outro nível ao construir novas instalações nos arredores, em 1911. Atualmente, é a maior da cidade, ainda administrada pela quinta geração da família.
Novamente, o copo de plástico da Mr Beer pode atrapalhar um pouco a análise, mas vamos assim mesmo: cerveja de cor caramelo/marrom, turva, com espuma de alta formação e duração. No aroma, muito caramelo um doce de banana. Muito interessante, diga-se de passagem. No sabor, esperava algo doce, mas essa cerva me surpreendeu. As notas de caramelo e banana estão lá, mas também aparece notas de de cravo e um amargor que não soube identificar. Final levemente adocicado, com certo amargor. Carbonatação alta. Corpo denso. Álcool elevado, mas não desequilibra.
Conclusão: realmente, a Riegele's Augustus é bem superior. Uma cerveja pra ser degustada no frio, já que seu teor alcoólico é elevado. Caso você encontre uma unidade, leve pra casa.
Quando uma cervejaria, além de produzir bons rótulos, cria uma identidade única, a degustação fica até mais interessante. Esse é o caso da Anderson Valley Hop Ottin´IPA, a cerveja de hoje.
Anderson Valley Brewing Co.
Fundada em 1987 em Boonville, norte da Califórnia, a Anderson Valley é mais uma das maravilhosas micro cervejarias americanas que revolucionaram o mundo com sua ousadia. Quando Ken Allem, um maluco quiroprática, lançou sua Anderson Valley, havia apenas 20 cervejarias artesanais em todos os Estados Unidos. Uma das coisas mais interessantes da Anderson Valley é utilizar em seus rótulos o chamado idioma boontling. É um verdadeiro fenômeno pois é um dialeto unicamente falado em Anderson Valley que acrescenta ao inglês um mix de expressões em gaélico, espanhol e pomoan, língua dos nativos americanos.
A começar pelo rótulo, que sofreu certa reformulação de uns anos pra cá, dando mais destaque ao mamífero do que ao cenário. Uma boa evolução.
O nome da cerveja também é outro capricho: "Hop Ottin"" significa "lúpulos trabalhadores".
Cerveja de cor meio alaranjada / meio cobre / meio âmbar (a iluminação não ajudou muito, translúcida, com espuma de média formação e duração. No sabor, malte caramelado em primeiro plano, com um lúpulo floral bem presente. No sabor, o malte é mais evidente, com a pegada do lúpulo contrastando bem com esse dulçor do malte., se sobrepondo. Retrogosto baseado em malte e algo doce que não soube explicar. Drinkability moderada. Álcool presente, carbonatação baixa. Corpo leve
Conclusão: Uma pena que chegue aqui no Brasil com preço tão alto. Se é uma boa cerveja? Sim, certamente. Entretanto, o custo-benefício prejudica você, que deseja saborear uma IPA que não remete a notas cítricas. Ela é boa, mas invista se o preço estiver acessível.
Já contei algumas vezes aqui no blog sobre as cervejas 'desconhecidas' que o Mr Beer traz para o Brasil, como no caso da Engel Hefeweizen Dunkel.
A cerveja de hoje é mais uma dessa lista: Schweiger Schmankerl Weisse
Privatbrauerei Schweiger
Fundada por Ludwig Schweiger em 1936 em Markt Schwaben, arredores de Munique. A Schweiger é mais uma cervejaria bávara que compõe um conjunto enorme de cervejarias pequenas e médias que mantêm um impressionante padrão de qualidade. Os estilos tradicionais bávaros (german pilsner, munich helles, dunkel, weissbier e dunklesweiss) são reproduzidos à perfeição, verdadeiros relógios essas cervejarias bávaras. Isto inclui a sua cerveja de trigo Schmankerl Weiße, que é a sua bebida mais popular.
Cerveja na Bavária é verdadeiramente uma instituição, levada muito a sério desde a Reinheitsgebot, a lei de pureza alemã, editada por Wilhem IV em 1516.
Novamente, os copos de plástico podem atrapalhar um pouco, mas vamos lá: cerveja de cor amarela, turva, com espuma de alta formação e média duração. Sim, é uma cerveja bonita, ela pede pra ser degustada. Aroma é bem leve, sobressaindo as notas de banana, deixando as notas de cravo e pão, característicos nas cervejas deste estilo, em segundo plano (e imperceptíveis pra mim). No sabor, ela é uma cerveja adocicada, mas com uma acidez que lembra limão a cada gole. Tinha algo picante, mas era tão mínimo que só fui perceber quando falaram (psicológico é tudo). Corpo médio. Carbonatação baixa. Álcool nada assertivo.
Conclusão: dependendo do preço, pode ser uma boa saída para provar uma cerveja de trigo com qualidade.
Uma ótima sugestão que deixo para você, que iniciou suas degustações de cervejas especiais há pouco tempo, é passar no Mr Beer e escolher um rótulo totalmente incomum. Motivo: como este rótulo não deve ter muitos registros em português, você fará sua análise isento de influências, ou seja, estará testando seu paladar. Foi assim que cheguei a Engel Hefeweizen Dunkel.
Biermanufaktur Engel
A premiadíssima Engel é uma cervejaria com mais de 270 anos de história. Fundada em 1738 na cidade de Crailsheim, foi adquirida em 1877 por Georg Fach para, inicialmente, atender somente seu restaurante. Infelizmente, os investimentos aplicados visando a modernização da linha de produção e de transporte foram destruídos, assim como a cidade, durante a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, a Biermanufaktur Engel possui mais de 20 rótulos, todos eles produzidos com base na Lei de Pureza Alemã de 1516, ou seja, com malte, lúpulo e água.
Em 2011, a Engel ganhou o maior prêmio da Alemanha, o "Bundesehrenpreis", do Departamento Alemão de Nutrição e Agricultura.
Em 2014, a DLG (Deutsche Landwirtschafts-Gesellschaft, que significa German Agricultural Society ou Sociedade Alemã de Agricultura) entregou à cervejaria o prêmio "Best of the Best" (1996-2014) pelos diversos anos de alto desempenho, além das 55 medalhas de ouro com 12 cervejas distintas ao longo dos anos.
Atualmente, a cervejaria está na 5ª geração da família Fach.
A começar pelo rótulo. É uma arte interessante, que não chama muita atenção, mas que pode atrair quem busca uma 'cerveja artesanal'.
Apesar do copo de plástico (Shopping Tijuca proibiu o Mr. Beer de servir cervejas em copos de vidro porque o quiosque não tem ponto de água), a análise visual da cerva fica um pouco comprometida. Cor marrom (ligeiramente avermelhada), turva, com espuma de alta formação e média duração. Aroma baseado em caramelo e banana (suave). Sabor acompanha o aroma, com a adição de malte torrado (muito suave), um frutado que não soube identificar, leve amargor do lúpulo e picardia mínima, mas presente. Carbonatação média. Álcool na medida certa. Corpo leve.
Conclusão: a experiência foi satisfatória. Uma cerveja bem honesta, vale o investimento. Entretanto, deveria ser mais acessível, pois é uma boa sugestão para quem gosta de cervejas de trigo.
Nem sempre provo cervejas especiais. Tem dias que quero fazer uma análise de uma cerveja baratinha, só para saber se ela é tão ruim quanto dizem ou se posso considerar uma boa aquisição para um churrasco ou algo do tipo. Foi assim que resolvi provar a Skol Beats.
Skol
Cerveja de propriedade da empresa dinamarquesa Carlsberg, com licença para ser fabricada no Brasil pela AmBev. Seu nome vem do sueco skål, que significa “à vossa saúde/à nossa saúde”; expressão comum que antecede brindes. Atualmente, é a líder absoluta do mercado brasileiro, com aproximadamente 30% de participação. A origem da marca tem início exatamente no dia 25 de agosto de 1964 na Europa, quando quatros importantes cervejarias, Allied Breweries (Reino Unido), Labatt (Canadá), Pripps-bryggerierna (Suécia) e Unibra (Bélgica), em uma tentativa de criarem uma marca global de cerveja, que seria licenciada para ser produzida em vários países, fundaram a SKOL INTERNATIONAL. A cerveja SKOL PILSEN chegou ao Brasil em 1967 pela pequena Cervejaria Rio Claro, fabricante da tradicional Caracu. Anos mais tarde, a Brahma adquiriu a marca para uso exclusivamente no país.
A marca é conhecida nacionalmente pela inovação (primeira lata em alumínio. embalagem long neck com tampa de rosca. lata de 473 ml e lata com boca redonda ou abertura maior) e pelo marketing agressivo, sempre voltado ao público jovem.
Em 2015, pelo terceiro ano consecutivo, a Skol ficou no topo do ranking BrandZ das marcas mais valiosas do Brasil.
Primeiramente, não há como negar que o produto 'Skol Beats' é muito bem apresentado. Com uma garrafa em formato de "S" e nome em alto relevo, ela é perfeita para quem quiser ostentar na noitada ou numa reunião com a galera.
Sobre a cerveja em si, ela não tem muitos atrativos: cor dourada, translúcida, com espuma de média formação e curta duração. No aroma, ela chegou até a apresentar notas consideráveis de malte, um pouco superior ao estilo. No sabor, apesar de ter provado uma versão engarrafada, ela apresentou notas metalizadas, além de ser levemente adocicada. Corpo levíssimo, ou seja, aguada. Sem retrogosto. Álcool bem assertivo. Carbonatação média.
Conclusão: Caso você queira experimentar, beba BEM GELADA, porque não vale muito a pena. Se o objetivo é degustar para fazer sua análise, vale a experiência, principalmente se você fizer um teste cego. Agora, como muito bem dito pelo amigo Carlos Lins, "ela é ruim e pronto. Se for pra beber cerveja aguada, que seja a Corona" :D
Após longo e tenebroso inverno, estamos de volta! Foram quase dois meses sem atualizar o blog!
Agora vai começar uma enxurrada de postagem sobre cervejas, restaurantes e hambúrgueres! Se preparem!
Vamos começar então com uma cerveja que leva maltes defumados, boa para apresentar a quem já provou algo nesse estilo: Evil Twin Ashtray Heart.
Sobre a Evil Twin Brewing
Evil Twin (gêmeo diabólico, em inglês), tem seu nome por ser seu fundador, Jeppe Jarnit-Bjergsø, irmão gêmeo de Mikkel Borg Bjergsø, fundador da celebrada cervejaria Mikkeller. Além disso, Jeppe adotou rigorosamente o mesmo esquema de produção da cervejaria do seu irmão: é uma cervejaria cigana. Ou seja, não tem fábrica e produz sempre em cervejarias parceiras. Atualmente morando em Nova York, Jeppe produz suas loucuras tanto no velho continente como nos Estados Unidos.
Cerveja de cor preta, opaca, com espuma de cor marrom de média formação e duração. O aroma dessa cerva é muito interessante: apesar de ser uma smoked porter, as notas defumadas e de fumaça não são tão assertivas. Elas estão lá, mas fazendo companhia às notas de chocolate. Admito que foi algo bem diferente do que já provei. O sabor, assim como o aroma, é complexo. De início, as notas defumadas são predominantes. Com o tempo, elas dão lugar à notas de café e de chocolate, mas sem tornar a cerveja adocicada. Outro ponto curioso que achei na Ashtray Heart foi o retrogosto: 100% defumado. Álcool bem assertivo, mas na medida. Carbonatação baixa.
Aliás, essa cerveja apresentou sedimentos no fundo do copo. Admito que o último gole foi uma mistura extrema de café com bacon.
Conclusão: Pela complexidade e explosão de sabores que essa cerveja te oferece, ela é extremamente recomendada. Mas, se você nunca provou uma cerveja defumada, acostume-se com uma mais leve nesse estilo (tipo Bamberg Rauchbier) para cair dentro da Ashtray Heart.